NA LITERATURA

– Literatura

Les deux pigeons de La Fontaine , ilustrado por Gustave Moreau
O Vôo do pombo – literatura oriental
O Vôo do pombo correio – Garcin
Um gato entre os pombos – Agatha Christie
A Pomba de Patrick Suskind
A Pomba de Patrick Suskind
Good friends de Richard Ansdell

CONVERSA COM POMBOS: CECÍLIA MEIRELES ANTES DE “O ÚLTIMO ANDAR” – Hercília Maria Fernandes[1]

1 – INTRODUÇÃO

Declarou Lígia Fagundes Teles (apud NISKIER, 2007) – em conferência proferida na Academia Brasileira de Letras, durante as comemorações do Centenário de Nascimento da poetisa e educadora Cecília Meireles (1901-1964) -, que, ao fazer uma visita à poetisa em companhia do poeta Paulo Bonfim, um pouco antes de Cecília partir para o alto do seu “último andar[2]”, entraram no quarto do hospital onde a lírica convalescia, já de um longo período de enfermidade, e encontraram-na:

“[…] linda, entre os travesseiros, sentada como uma rainha. […] Havia pombos no terraço do apartamento lá do hospital, e nesse instante ela disse: ‘Toda manhã, na hora do café, jogo miolo de pão para eles e eles conversam comigo’. Aí o poeta Paulo Bonfim perguntou: ‘E o que é que os pombos dizem, Cecília?’ Ela respondeu: ‘Ainda não sei, mais tempo aqui, vou descobrir. ‘Foi esta a última visão de Cecília’” (TELES apud NISKIER, 2007).

3 – SAUDADE: A CANÇÃO DOS POMBOS

Ao deixar a vida material em 09 de novembro de 1964, a mulher amadurecida, entretanto eterna criança em sentimento, pela dor das perdas familiares, lutas ideológicas e perseguições políticas, no Brasil, na década de 1930; Cecília Meireles vê no sofrimento causado pela enfermidade a oportunidade do exercício da alteridade poética, buscando “no instante que parece eterno, mas não é” (SANDRONI, 2005), o diálogo fraterno com os seres da natureza a fim de compreender, poeticamente, os mistérios da existência e da brevidade do tempo.

Assim, a passagem descrita pela escritora Lígia Fagundes Teles – apresentada aqui, inicialmente, acerca da experiência expressa por Cecília Meireles no quarto de hospital -, faz lembrar, 43 anos pós-partida de Cecília rumo ao seu “último andar”, de um poema que encanta, desde 1964, os leitores da poetisa, sejam eles crianças, adultos e/ou adulto-crianças. Poema que integra a obra “Ou isto ou aquilo”, donde se evidencia o tema da premonição da morte. Talvez, nessa última visão de Cecília, a eterna menina, ao ouvir as vozes dos pombos, tenha, enfim, encontrado as respostas tão almejadas ao longo de sua existência humana como “poetisa das almas”:

Três meninos na mata ouviram
uma pombinha gemer.
“Eu acho que ela está com fome”,
disse o primeiro,
“e não tem nada para comer.”
                                                                        Três meninos na mata ouviram
                                                                        uma pombinha carpir.
                                                                       “Eu acho que ela ficou presa”,
                                                                       disse o segundo,
                                                                       “e não sabe como fugir.”
Três meninos na mata ouviram
uma pombinha gemer.
“Eu acho que ela está com saudade”
disse o terceiro,
“e com certeza vai morrer.”

(Pombinha na mata In: Ou isto ou aquilo, 1964).

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s